terça-feira, 30 de agosto de 2011

A extinção do Preparador Físico - Parte II

          Tempos atrás, escrevi um texto que tinha como título "A extinção do Praparador Físico" (http://gilterlanferreira.blogspot.com/2010/10/extincao-do-preparador-fisico.html), onde
comentava que a figura ATUAL desse profissional iria desaparecer futuramente. Muitos de nós, Preparadores Físicos, podemos nos sentir ameaçados com essa “previsão” , mas não vejo outro caminho, que o futebol, em sua essência, poderá seguir. 
No II Seminário de futebol esse tema veio à tona na palestra do Professor Nuno Amieiro e causou uma certa polêmica. Pena que o tempo foi tão curto para debatermos algo tão complexo. 
          Estamos em uma época onde paradigmas são constantemente quebrados. A busca pelo conhecimento é cada vez mais voraz e contínuo. Portanto, partindo desse pressuposto, creio que estamos a um passo de transgredir as regras do pensamento analítico em detrimento do pensamento sistêmico. "(...) esta forma redutora de interpretar os problemas complexos e os procedimentos abstratos tem caído em falência metodológica." (Durand, 1979). Hoje aceita-se a idéia de equipe como um sistema complexo de elementos em interação.


“Concorrendo para essa questão, Morin (1997) refere-nos que o sistema é um ‘todo’ constituído pelas relações dos seus constituintes. Nesse seguimento, o ‘jogar’ expressa as relações de cooperação entre os colegas e de oposição com os adversários. De acordo com essa concepção, o jogo é um sistema de ‘sistemas’.”  (GOMES, 2006)

          Alguns de nós, Preparadores Físicos, alegamos trabalhar em especificidade, pois não utilizamos longas corridas contínuas e trabalhamos 'com bola', porém, a visão cartesiana continua norteando todo o processo. Não quero aqui dizer que, EU trabalho em Especificidade, longe disso. O assunto é por demais complexo, e não me deixa falar em  tal situação. Porém, creio que o primeiro passo, para que isso um dia realmente ocorra, será nos libertarmos das correntes do comodismo, das amarras dos pensamentos arcaicos, retrógrados e reducionistas que permeiam a nossa sociedade. 
          Em seu último Post, Luis Esteves (http://www.organizacaodejogo.blogspot.com/), do qual sou leitor assíduo, fala que tudo é uma questão de MEDO. E sou obrigado a concordar com ele. Como posso refutar uma ideia ou teoria da qual desconheço? Isso é no mínimo ignorante! Tenho falado que é difícil sairmos da nossa zona de conforto, pois é muito mais cômodo repetirmos o que fazemos, repetidamente, ano após ano. Muitos, para justificar o que não se conhece, falam na questão cultural de nossos jogadores como um dos fatores limitadores para emprego da Periodização Tática. Ora, se nossos jogadores são produtos do meio em que estão inseridos, como podemos mudar esse quadro cultural? (A resposta é óbvia! Ou não?). Isso, ao meu ver, é a prova maior do comodismo ao qual estamos inseridos. Pensar e sistematizar nossa prática é tarefa árdua, e não estamos acostumados a pensar complexamente.
          Eu, como Preparador Físico, não me sinto 'ameaçado' ou coisa parecida. Sinto-me, cada vez mais, entusiasmado com a mudança de paradigma que se desenha. Cada vez mais, vislumbro a possibilidade de fazer parte de um 'futebol pensante'. Afinal, o futebol nada mais é do que um jogo. E o jogo é pra ser jogado!

domingo, 28 de agosto de 2011

II Seminário de Futebol - Considerações

Nos dias 25, 26 e 27 estive em Porto alegre participando do II Seminário de futebol - Construindo os alicerces da formação nas categorias de base, uma realização do Grêmio FBPA em conjunto com a UFRGS. 


O seminário contou com uma grande participação de profissionais do futebol
O evento contou com uma grande participação de profissionais do futebol de várias partes do Brasil. Além do conteúdo das palestras apresentadas, foi de grande valia o encontro com vários colegas que só conhecia pelo mundo virtual, e o encontro com novos colegas.


Sandro Forner, Eu e Cláudio Roberto

Edinho, Eu e Thiago

Nuno Amieiro
Próximo ano espero que o evento seja ainda melhor e espero estar novamente presente. Abraço à todos os colegas.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Agresividade no Pressing e Circulação


Neste exercício as equipes de cor azul jogam contra as equipes cinza e vermelho (situações 4x2) em três campos. O exercício tem o tempo total de 1'30''. A cada 30" de exercício, ao sinal do treinador, as equipes azuis trocam de campo conforme a imagem. Ao final do exercício as equipes terão executado 3 mudanças de campo. O treinador deve estimular uma rápida velocidade de deslocamento nessa mudança e o pressing agressivo quando chegar ao novo campo. Para as equipes em superioridade, enfatizar a qualidade da circulação de bola. 
Espero que tenham gostado e até o próximo Post!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Exercício: Circulação da bola

“(…)O êxito no futebol tem mil receitas . O treinador deve crer numa, e com ela seduzir
os seus jogadores” (Valdano, 1998: 210)

“Cada verdade tem o seu momento mas quando se elege uma verdade devese
defendê-la em todo o momento” (Valdano, 1998: 207)

“O futebolista deve conservar o gosto por jogar e o desejo de perfeição, a partir
daqui só é necessário pôr-se de acordo com a ideia que vai defender porque sendo
vital a qualidade individual, ainda o é mais a capacidade de coordenação de todos os
elementos em jogo” (Valdano, 1998: 238)



Esse exercício é uma variação do último exercício postado aqui no blog. Neste, formam-se 3 equipes com 3 jogadores. A equipe azul e a equipe verde ficará com um jogador em cada parte do campo. A equipe vermelha começa com a posse de bola e terá a ajuda do jogador azul no campo onde a bola está. O jogador verde irá tentar tomar a bola, criando-se assim uma situação 4x1. O objetivo da equipe vermelha, é circular a bola com qualidade por entre eles (incluindo o azul que está ajudando), para então passar a bola para o jogador azul do outro campo. Feito isso, toda a equipe vermelha se deslocará para o campo onde a bola foi  passada, formando-se, sempre, situações 4x1. A escolha para passar a bola para o outro campo pode ser aleatória, escolhendo qualquer campo, ou seguindo uma sequência lógica de ida e volta. Isso dependerá da escolha do treinador. O rodízio de funções acontece em cada 1-1:30min. Quem estava circulando (vermelha), vai marcar. Quem tava exercendo pressão (Verde) vai apoiar, e quem estava apoiando (azul) vai Circular a bola.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Aleatória Auto-Organização das equipes.

Estava conversando com o colega Luís Esteves¹ (profissional que admiro bastante), e tocamos no assunto de como é comum vermos, em certos casos, uma equipe de futebol  moldar-se 'sozinha', de acordo com as características das peças (jogadores), e não por um trabalho interveniente do seu treinador. Às vezes, a soma das características desses jogadores, e tão somente essa soma, faz surgir um interessante  modelo de jogo. A interação entre os jogadores se dá, de tal maneira que, tudo flui de uma forma positiva. 

As características desse sistema, não foi resultado de uma organização consciente de seus jogadores, muito menos da intervenção do seu treinador.  É um "fazer sem saber o que está sendo feito". É, na verdade, um conjunto de vivências individuais, que num dado momento, e de forma aleatória, produziu uma (como referiu-se Luis Esteves) auto-organização.  

"Toda a interação dotada de alguma estabilidade ou regularidade assume um carácter organizacional e produz um sistema" ( Morin, 1990)

E assim, com treinos que em nada tem a ver com a complexidade do jogo, ganham-se partidas e conquistam-se campeonatos. Com metodologias ultrapassadas e cartesianas, onde o físico está acima da técnica e da tática, alguns treinadores triunfam!

Todavia, não será sempre que as equipes terão essa auto-organização, e será necessário que o treinador tome as rédeas do processo, sob pena de ter em suas mãos, uma equipe totalmente desnorteada.

"A organização dos jogadores configura as interacções da equipa e por isso, leva a determinadas regularidades que a identificam. Deste modo, um sistema sem organização resulta numa agregação aleatória de acontecimentos sobre os quais os jogadores e treinador têm maiores dificuldades em interagir". (Garganta & Cunha e Silva, 2000).


Muitos, treinam suas equipes por imitação. Alguns de acordo com o que vivenciaram em épocas passadas, ou quando jogador, e por conta de suas visões reducionistas, elegerão esses métodos, como verdade absoluta até o final da vida. Devemos atentar que o futebol é muito mais complexo do que possa parecer. Cada equipe tem uma identidade própria e nenhuma é igual a outra. Os métodos que foram eficazes para a equipe A pode não ser tão benéficos se aplicados à equipe B.

Uma grande parte dos treinadores, relutam em aceitar o novo pelo simples fato de não saber fazer nada mais além da imitação.

Sair da zona de conforto, é muito mais difícil do que, simplesmente, renegar uma nova metodologia que o faz pensar, refletir, transcender.





"A questão única está no medo de: transcender, fugir do comum e modificar padrões instaurados na sociedade do futebol. Sair do modelo convencional, que foge do corriqueiro é uma tarefa árdua, especialmente pela nítida massificação das tais idéias do abraçar e morrer pela “religião do treino tradicional”. E quando se é percebido (através da ciência, que fique bem claro) que tal modelo é ultrapassado e questionado a cada dia que se passa pelo tempo perdido com o mesmo, surge a estranha sensação de alívio ao observar algo novo fluir, e em nada (ainda bem) se parecer com o arcaico. A partir daí, começa-se a entender que a troca de paradigmas é inevitável para a evolução de qualquer atividade humana."  (Greboggy e Cazerin).



Não é tarefa fácil sistematizar um modelo que privilegie um "saber fazer" por parte dos jogadores. Fazer com que, compreendam e, junto com o treinador façam surgir um modelo de jogo que vá de encontro com as características da equipe. É necessário, antes de tudo, mudar o entendimento do que achamos que é o futebol. Mudar a direção do nosso olhar e ampliar o nosso raio de visão. Devemos nos livrar das correntes cartesianas, na qual estamos há séculos atrelados. Devemos, principalmente, ter a humildade de estudar sempre, sabendo que quanto mais estudamos menos sabemos.




(¹)Treinador de futebol e autor do blog www.organizacaodejogo.blogspot.com

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Exercício


A equipe verde joga com a ajuda de 1 jogador azul contra um jogador da equipe vermelha (3x1). Verdes e azul devem circular a bola por entre eles antes de passá-la ao outro lado do campo onde encontra-se um outro jogador azul. Feito isso, os dois jogadores verdes mudam de campo para novamente formar um trio contra o jogador vermelho que estava no centro. O jogador vermelho q estava exercendo a primeira pressão descansa no centro até a bola voltar ao seu campo de marcação. O exercício tem duração de 1 minuto. Após esse período a equipe vermelha ocupa o lugar da azul, a equipe azul toma o lugar da equipe verde, e a verde ocupa o lugar da equipe vermelha.
Espero que tenham gostado e até o próximo post!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Exercício para Mobilidade Ofensiva

" O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos líderes das nossas corporações, nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades." (Capra, 2006) 



Exercício 4x4 onde a equipe que detém a posse de bola deve fazer a circulação dessa até encontrar espaços na equipe que está à defender. Somente um atacante poderá finalizar forçando, dessa forma, o aprimoramento da enfiada de bola entre os defensores.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Exercício simples de passe



Este exercício foi retirado a partir de um vídeo de uma sessão de treino do Real Madrid. Simples, porém interessante para aprimorar o fundamento de passe em 1 toque na bola. As movimentações ocorrem conforme a ilustração.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Exercício

“Penso que tem de haver no fundo de tudo, não uma equação, mas uma ideia
extremamente simples. E para mim essa ideia, quando por fim a descobrirmos,
será tão convicente, tão
inevitável, que diremos uns aos outros:
“Que maravilha! Como poderia ter sido de outra maneira?”
(John Archibald Wheeler cit. in Wheatley, 1992:18)

“Trata-se aqui de uma noção tipicamente complexa: quando se vê a unidade,
vê-se a diversidade na unidade e, quando existe diversidade, procura-se a unidade.”
(Morin, 1990)

“O futebolista deve conservar o gosto por jogar e o desejo de perfeição, a partir
daqui só é necessário pôr-se de acordo com a ideia que vai defender porque sendo
vital a qualidade individual, ainda o é mais a capacidade de coordenação de todos os
elementos em jogo” (Valdano, 1998: 238)




Exercício intersetorial 6x5. A equipe vermelha em organização ofensiva tenta marcar um gol na baliza grande, sendo que no quadrado apresenta-se uma situação 4x3. A equipe vermelha tem como apoios os extremos que só poderão jogar na zona demarcada em situação 1x1. A equipe azul que está em organização defensiva tenta tomar a bola o mais rapidamente para tentar marcar nas balizas menores. A equipe azul terá também 2 apoios (laterais) nos flancos .

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Controle do treinamento

Uma das grandes preocupações dos preparadores físicos é o "controle" do treinamento: repetições, séries, duração, frequência cardíaca, GPS, lactímetro, etc.  O princípio da interdependência volume x intensidade (na visão convencional) faz com que fiquemos "dependentes" do controle quantitativo do treino, quando, na verdade, deveríamos nos preocupar com o controle qualitativo do mesmo. A visão de Intensidade em um treino que procura a Especificidade do treinamento deve seguir um outro norte, merece um novo olhar. Ao treinarmos em especificidade, queremos desenvolver um treino à semelhança do jogo. Ou seja, queremos que os gestos motores, situações, exigência física/mental/tática etc. sejam o mais próximo possível da realidade do jogo. Portanto, falamos em intensidade máxima relativa ao que pretendo em determinado exercício.



".. é a intensidade necessária para se fazer determinado exercício com êxito ou seja, a intensidade é relativa aos objetivos que traçamos para o exercício. Desta forma contextualizamos a intensidade porque em determinadas situações o jogador para ter êxito deve estar parado, outras vezes a correr muito, outras vezes a correr pouco (...) Deste modo é relativa ao contexto da situação e por isso, falo em máxima relativa." J. Guilherme Oliveira (2006)

O "controle" do treinamento, desta forma, assume uma forma diferente. Os objetivos que pretendo para o exercício ou sessão de treino são guiarão o processo. posso manipular esse controle de diversas formas. Posso ter um exercício com ou sem oposição, com mais ou menos jogadores,  com mais ou menos espaço etc. Desta forma posso "manipular" o que pretendo e guio o processo para onde quero. A intensidade, portanto, será máxima relativa e assumirá essa forma desde o primeiro dia de treinamento. Desmistificando, então, aquela velha prática de começarmos os treinamentos com uma baixa intensidade e alto volume para, depois, inverter essa ordem no período competitivo. 

terça-feira, 29 de março de 2011

A preparação física no FC Barcelona

Venho somente transcrever um artigo que o professor Rodrigo Leitão escreveu, em 2009, para o site: www.universidadedofutebol.com.br 
Certos fenômenos precisam ser observados por um tempo, que tem que ser o tempo do 'próprio fenômeno', e não o tempo que nós damos a ele
A preparação física no futebol vem evoluindo e sofrendo constantes transformações desde que passou a ser formalizada nas sessões de treinamento das equipes. No mundo todo, a organização do processo de treinamento desportivo também passou por modificações, que, de certa forma, influenciaram as transformações que se refletiram no futebol.



Recentemente, o responsável pela preparação física da equipe do FC Barcelona, Francisco Seirul-lo Vargas (está lá, nesse trabalho, desde 1994), em um congresso na Espanha, surpreendeu a todos (ou quase todos), e, inclusive ao renomado cientista do treinamento Jurgen Weineck – presente no evento –, em sua explanação, mostrando que em sua equipe os treinamentos “físicos” são realizados de maneira integrada aos objetivos do treinador e são elaborados para contribuir com a construção do modelo de jogo adotado pelo FC Barcelona.


Francisco Seirul lo Vargas

Seus treinos, então, pautados no jogo a ser jogado, distinguem-se do que tradicionalmente são adotados como modelo, meios e métodos de treinamento. As avaliações dos jogadores são qualitativas, realizadas no próprio jogo. Não há RASTs, Yo-Yos, testes de velocidade de limiar de lactato, altura de salto, etc., etc., etc. A melhor avaliação – parafraseando alguns presentes no evento –, é o futebol apresentado e o resultado dos jogos.




Claro, isso não quer dizer que devamos parar tudo, jogar fora décadas de treinos, e começar novamente de outro jeito. É inegável que métodos tradicionais têm conquistado grandes resultados – isso é um fato. O que quero destacar é que, primeiro, para a contextualização de um mesmo problema, caminhos diversos podem ser adotados como solução, e, esses caminhos, em curto e médio prazo (ah, o tempo!), podem não apresentar diferenças aparentes nos resultados obtidos; segundo, já faz algum tempo que um grupo (pequeno) de pessoas aqui no Brasil (treinadores de futebol, professores, cientistas) está apontando para o caminho descrito pelo preparador físico do FC Barcelona (inclusive com maiores avanços em algumas coisas), mas como o bom capital simbólico dessas pessoas está concentrado em alguns poucos nichos, a informação acaba não se disseminando.

Sobre o primeiro “destaque”, quero dizer, apoiado em um Prêmio Nobel, o pesquisador Ilya Prigogine, que certos fenômenos precisam ser observados por um tempo, que tem que ser o tempo do “próprio fenômeno”, e não o tempo que nós damos, sem saber, para ele. Então, se por enquanto, aparentemente, caminhos diferentes têm levado a bons resultados, aguardemos pelo que virá – e aos meus olhos, ao menos o jogar do FC Barcelona já me parece bem diferente de alguns outros.

Sobre o segundo “destaque”, quero dizer, que façamos essa forma diferente da tradicional, de pensar a preparação desportiva, atingir rapidamente os alvos certos (os nossos treinadores de ponta, os preparadores físicos, os dirigentes). Nossos “pensadores da práxis” precisam ser ouvidos. Não dá para esperar o FC Barcelona ganhar mais um jogo (porque tem gente que vai acreditar, que o problema são só as “cifras”).

Então, pessoal, falem para o Juca (o Kfouri), quem sabe ele escuta, e convida um deles para uma entrevista na ESPN; ou então falem ao Jô (o Soares, para uma conversa inteligente), o Trajano, o Tostão, sei lá...

Só não me venham com o Galvão...

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

sábado, 26 de março de 2011

A visão reducionista do nosso futebol

Considero o Daniel Portela um grande fisiologista do nosso futebol, porém a idéia que ele tem sobre a Periodização tática parece-me equivocada. Nos vídeos abaixo, ele e o também fisiologista Marcos Serra, concedem entrevista ao site do professor Artur Monteiro, e mostra total falta de conhecimento acerca do assunto. Um estudo epstemológico sobre a a Periodização tática e, a partir daí, compará-la com outras metodologias, periodizações, seria o mais sensato a se fazer. A ''preocupação física'' sempre vai existir em qualquer que seja a metodologia empregada, porém na Periodização tática não é ela quem rege toda a preparação e sim a dimensão TÁTICA, o JOGAR. A visão cartesiana ainda impera no nosso modo de treinar futebol e isso ainda levará um tempo para ser mudado. Como falei anteriormente: Não acredito que exista certo ou errado no futebol. Creio na visão que cada um  tem do que realmente é o futebol!









quinta-feira, 17 de março de 2011

Exercício intersetorial

“Agora, inventar arte e maneira:
De juntar o acaso e a certeza,
Leve nisso, ou não leve, a vida inteira”
(José Saramago cit. Frade, 1990:9)




Este exercício é parecido com um que postei anteriormente, só que neste utilizamos o 1-4-3-3. Temos como objetivos nesse trabalho a circulação de bola, pressing, retirada da bola de pressão e mobilidade ofensiva. Jogadores do meio jogam na área demarcada (3x3). Vermelhos tentam marcar gols nas mini-balizas. Azuis tentam tomar a posse de bola e retirá-la da zona de pressão, ligando nos atacantes e juntando-se a eles, começando assim uma situação 6x4.

O que é certo ou errado no futebol?

Estamos em 2011 e deparamo-nos com um presente futebolístico ainda retrógrado, apesar das mudanças ao longo do tempo. A falta de conhecimento dos que dirigem as equipes (corpo técnico e diretoria),  não deixa ocorrer as transformações necessárias para um avanço que é inevitável.

Costumamos, no futebol, ''enfeitar demais o pavão'': GPS, lactímetro, fotocélulas etc. e perdemos o foco no principal: o jogar futebol! Não entendo o treinar de uma forma para jogar de outra. Qual o sentido desta prática, ainda muito comum?




Creio que a mudança provoca medo, desconforto, insegurança. Afinal, é mais cômodo e fácil,  ''fazer o que todos fazem''. O estudo aprofundado do futebol exige esforço e dedicação. Isso não ficou para todos. Creio no treino como espelho do jogo e no jogo como reflexo do treino! Não estou entrando no mérito do que é verdadeiro ou falso, do que é certo ou errado. Estou, apenas, entrando na lógica do jogo e partindo disso, tirando minhas conclusões e seguindo minha metodologia de trabalho.

Critico a resistência ao novo, mesmo lembrando uma frase do Vitor Frade: Não temos necessidade daquilo que desconhecemos. Critico, pois, desta forma, a falta de gana pela busca ao conhecimento, do aperfeiçoamento contínuo, do intercâmbio. A informação e o conhecimento estão logo ali, para quem quiser e tiver disposição. Falta-nos, também, a coragem de acreditar em algo e por em prática.''Cada verdade tem o seu momento mas quando se elege uma verdade deve-se defendê-la em todo o momento” (Valdano, 1998).


Afinal, o que é certo ou errado no futebol? Não acredito que exista um ou outro. Creio na visão que cada um  tem do que realmente é o futebol!

terça-feira, 1 de março de 2011

O principal diferencial de José Mourinho

Venho aqui, somente transcrever esse excelente artigo que professor Alcides Scaglia disponibilizou no site: www.universidadedofutebol.com

Treinos devem preparar para as situações e problemas do jogo
“Treino é treino, jogo é jogo!”. Este é um dos adágios populares mais alardeados nas searas futebolísticas. Jornalistas, técnicos, jogadores, torcedores... Já escutei esta frase de todos eles. Contudo, o problema não se resume no reproduzir este ditado, mas em acreditar nele.
Esta máxima, se levada ao pé da letra, me permite concluir que não tem sentido treinar. Se o treino é circunscrito em si, ou seja, tem um fim nele mesmo, não mantendo relação com o jogo, treinar passa a ser apenas ocupação de tempo ocioso antes do jogo, pois o mesmo não prepara os jogadores para enfrentar os problemas do jogo.
José Mourinho, mesmo não utilizando este adágio, disse de outro modo a mesma coisa em um pequeno trecho do livro “Um ciclo de vitórias”. Em 2000, depois de sua estréia com derrota no Benfica, Mourinho constatou que faltava hábito de trabalho no clube e para isto justificou-se destacando a falta de agressividade (importante não confundir com violência) nos treinos.
“(...) havia a questão da agressividade no treino, que era inexistente. Algumas ‘individualidades’ simplesmente não queriam que houvesse o mínimo de agressividade nos treinos. Resultavam daí que treinavam sem caneleiras, logo sem contacto e sem situações competitivas. Os treinos no Benfica eram, no mínimo, caricatos. Diariamente, um grupo de bons rapazes dava uns toques na bola, fazia umas corridas e era tudo”.
Para entender melhor o que disse Mourinho, recorri às inquietações filosóficas de nosso filósofo da Educação, o professor Paulo Guiraldelli Jr., que em uma de suas aulas na TVfilosofia (www.tvfilosofia.blog.br), disse que o conceito de  filosofia poderia se resumir na desbanalização do banal. Ou seja, o filósofo quer dizer que o trivial (banal), o comum, o corriqueiro, o habitual, passa a incomodar o filósofo, que então se debruça a investigar e desvendar o que o senso-comum encobriu.
Por meio da afirmação do filósofo Paulo Guiraldelli Jr., posso inferir que Mourinho filosofou a respeito dos treinamentos no Benfica (que pode ser generalizado para uma grande quantidade de clubes). Ele exatamente desbanalizou o banal ao abordar algo óbvio, mas que ninguém, via, vê ou quer ver.
No futebol os treinos e seus objetivos são banalizados. Pode-se dizer isto no sentido de que os mesmos não se preocupam necessariamente em manter uma relação com o acaso e as exigências presentes no jogo. Por exemplo, nos treinos reina a previsibilidade, no jogo impera a imprevisibilidade.
Explico: desde a rotina da semana, passando pelo aquecimento, treinos físicos, treinos técnicos, treinos táticos, até a nutrição antes do jogo, são previsíveis, no sentido de sempre se repetirem, enquanto que o jogo é marcado por situações inesperadas e irredutíveis, logo nunca uma mesma jogada se repete, uma mesma ação é reproduzida, ou mesmo, um gol igual ao outro é convertido.
Na imensa maioria dos clubes a preparação física acontece desintegrada das demais preparações (técnica, tática e emocional) e longe do campo de jogo, sem bola, e ainda mais, por incrível que possa parecer, com a imposição autoritária do técnico impedindo o preparador físico de literalmente por as mãos na bola.
Já no jogo os jogadores jogam com o físico, a técnica, a tática e o emocional integrados. Não há possibilidade de no jogo de futebol separá-los em partes, reduzi-los a momentos em que as valências físicas possam ser isoladas dos demais componentes do jogo, sem ser influenciada pelos mesmos.
Os treinos técnicos são analíticos, repetem-se movimentos de forma descontextualizada do jogo, ou melhor, treina-se a reprodução de movimentos fechados, padrões gestuais são preestabelecidos. Adestra-se uma habilidade fechada. Desse modo, formam-se exímios malabaristas com a bola nos pés e inaptos jogadores.
No jogo são exigidas habilidades abertas, pois as exigências de execução são sempre variadas e requerem constantes adaptações, ajustes inesperados. Logo, se os jogadores nos treinos não são estimulados a potencializar suas respectivas capacidades adaptativas, estes se apresentam como inadequados, ou até contraproducentes na perspectiva de altos rendimentos.
Já os treinos táticos realmente não exigem a utilização de caneleiras, como advertiu Mourinho, pois, na maioria deles, os marcadores fazem sombra aos atacantes titulares, ou seja, apenas acompanham a jogada, dando azo até às típicas situações constrangedoras em que, se a sombra for muito grande em tamanho e menor em idade e o jogador titular muito pequeno em atitude e vontade, este humilha esse.
Fala-se aos quatro cantos do mundo da bola que estes treinos táticos ensaiados e coreografados já foram alvo de crítica de um dos paradoxais gênios do nosso futebol brasileiro. Diz-se que Garrincha certa vez, depois de participar de um desses treinos perguntou ao técnico se já haviam combinado também com o time adversário.
Garrincha foi e é motivo de piadas e chacotas no meio futebolístico em relação a sua hipotética limitação intelectual. Será que ele estava errado ao fazer esta colocação (se é que a fez na verdade)? Ou será que ele estava errado apenas na perspectiva do paradigma cartesiano, no qual impera a ordem linear? Pois, à luz do paradigma da complexidade descrito por Edgar Morin, seria somente combinando com o adversário para que se possa criar um ambiente para a materialização e transferência de conhecimentos da coreografia de acontecimentos ensaiados no treino para realidade do jogo.
O jogo sempre tende ao caos, à desordem. Os treinos criticados por Mourinho acercam-se da ordem, da linearidade. Até os treinos coletivos, que se caracterizam como jogo, muito raramente acontecem se levando em conta fatos que são corriqueiros, como, por exemplo, a desigualdade numérica. Uma equipe nunca treina como jogar com um ou dois jogadores a mais ou a menos, porém se depara inevitavelmente com esta situação quase que em todos os jogos.
Portanto, a partir da simples, da aparente constatação de que os jogadores do Benfica não usavam caneleiras (fato banal, invisível aos olhos positivistas) é possível entrever que a agressividade (no sentido de ações/desafios que põem o jogador em jogo) se apresenta como um importante indício que nos mostra o quanto os treinos não guardam semelhanças com o que acontece no jogo, logo desnecessários; logo caricatos.
Ao desbanalizar o treino banal, José Mourinho edifica e consolida sua peculiar metodologia de treinos. E, digo novamente, até de maneira inocente ele nos ensina como fazer para que as ações do treino possam ser transferidas para o jogo:
“Para dar um exemplo, imagine-se duas equipas, num quadrado de 30 metros de lado, onde cada uma delas tenta manter a posse da bola. Se eu reduzir o quadrado, de 30 para 10 metros de lado, modifico logo tudo porque os obrigo a uma maior proximidade entre eles, logo mais contacto físico, logo a mais competitividade, e por aí fora. Outra alteração que introduzi foi o uso obrigatório de caneleiras”.
Então posso concluir que o notório técnico português ressignificou o ditado popular que diz que treino é treino, jogo é jogo. Por intermédio de José Mourinho e sua inovadora metodologia o adágio passa a ser: “Treino é jogo, jogo é treino”.
Para interagir com o autor: alcides@universidadedofutebol.com.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Exercício


O atleta A faz o percurso nos cones e sai em velocidade para receber a bola e finalizar à gol. Feito isso, sai em velocidade para impedir o jogador B de finalizar (situação 1x1). O jogador B só sai em condução máxima quando a finalização for efetuada pelo jogador A. Inverte-se os lados a cada repetição. Esse exercício tem como objetivo a velocidade específica e estimular a transição defensiva (mudança de atitude ao perder a posse de bola).

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Exercício


Exercício que tem como objetivos: mobilidade ofensiva, retirada da bola da zona de pressão, pressing etc.
4 jogadores azuis (com uma bola cada) jogam individualmente contra 4 jogadores vermelhos em situação 1x1 sempre. Os jogadores azuis tem a ajuda de quatro jogadores fora do quadrado que servem como apoio. O tempo de exercitação é de 1'30''. Depois disso as equipes trocam de função: quem estava com a bola passa a ser apoio. Quem estava sendo apoio passa a marcar, e quem estava marcando fica com a bola.

A todos que me acompanham por esse blog, um ano novo cheio de boas e novas realizações. Que possamos, cada vez mais, superar as barreiras que aparecem em nosso caminho com sabedoria e discernimento.  Um grande abraço e feliz ano novo!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Empregando uma nova metodologia na pré-temporada

Estamos todos iniciando a fase de pré-temporada para o ano de 2011. Várias são as metodologias usadas por treinadores e preparadores físicos. Essa fase requer especial atenção por parte de todo o corpo técnico do clube, pois o sucesso da equipe na temporada depende muito desse período (mas não só dele). Durante muito tempo me vi preso a questões que nada tinham a ver com o jogo propriamente dito. A obsessão por curvas de treinamento, picos de forma, vo2máx, Limiar anaeróbico, etc. não me deixavam enxergar o principal: o jogo! Sempre gostei de ''treinar com bola'',  mas sempre com o pensamento voltado exclusivamente para a dimensão física. hoje, estou tendo a oportunidade de ''tentar'' implantar a periodização tática e enxergar o treino de uma forma mais específica (achava que já fazia isso, só por ''treinar com bola''). Deixar o modelo de jogo pretendido guiar o processo e não a dimensão física, é o primeiro passo para a compreensão da periodização tática. 

Na pré-temporada a questão da avaliação da forma física é levada muito à sério pelos preparadores físicos. Testes intermitentes em campo (YoYo test, soccer test etc.), testes de potência anaeróbica (300m, rast test etc.), testes em laboratórios (ergoespirometria, wingate, dinamômetro isocinético etc.), são exemplos mais comuns de avaliações utilizadas no Brasil.  A preocupação em atribuir  um nível de performance inicial aos jogadores, para só então, a partir daí, planificar toda a temporada parece-me, hoje, reducionista demais. O futebol é muito mais complexo. Durante minha trajetória profissional, nunca foi difícil observar atletas que nas avaliações eram os ''mais bem preparados'', terem desempenhos pífios nos jogos. E nunca foi raro ver o contrario acontecer também. Portanto observamos que, valorizar por demais somente uma dimensão parece ser um equívoco.       

A  interdependência volume/intensidade sempre se constituiu, também, numa preocupação exacerbada. Mourinho fala o seguinte sobre esse tema:

'' Existe a idéia comum de que o período preparatório difere do período competitivo em termos de volume e intensidade de trabalho. Refere-se a necessidade de se começar com volumes de trabalho elevados, mas com intensidades baixas, para depois, com a aproximação da competição, se inverter a lógica. Tudo isto é perspectivado segundo um ponto de vista puramente físico. Eu não acredito nisso e, para mim, os dois períodos são em tudo iguais. E o que eu entendo por intensidade difere totalmente do significado que normalmente se lhe atribui.(...) Eu parto do princípio de que a melhor forma de recuperar as perdas decorrentes das férias é trabalhar desde logo a intensidades máximas relativas, associadas àquilo que é a especificidade do nosso jogo. Portanto, não acredito no aumento do volume, nem na inversão do volume pela intensidade. Por exemplo, aquilo a que normalmente se chama resistência aeróbia e convencionalmente se diz conseguir com volume de trabalho também se consegue com a acumulação das intensidades máximas relativas.''  



As valências físicas são outro fator merecedor de atenção na periodização convencional ou  integrada. Na periodizaçao tática, essa dimensão vem por ''arrasto'', como consequencia de um treinamento que privilegia o todo, e não uma parte que se sobressai sobre o todo. Sobre isso, fala Mourinho:

''Eu não perspectivo a força, a resistência e a velocidade de um ponto de vista quantitativo, mas contextualizadas àquilo que é o futebol e, fundamentalmente, à nossa forma de jogar.''



Na periodização tática a dimensão física não é deixada de lado como muitos podem pensar, ela apenas não é encarada como ''a mais importante'' do processo. 

Em outra oportunidade, tentaremos aprofundar o assunto. Abraço!


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Exercício


Esse exercício, tem como objetivo a circulação da bola e mobilidade ofensiva, tentando entrar no bloco defensivo adversário. Jogo 3x3+1, onde a equipe de posse de bola tentará, através da circulação de bola, ''invadir'' o campo adversário. A equipe que pressiona tentará ficar compacta, evitando que o seu bloco defensivo seja furado. 
Um grande abraço e até o próximo post!
Gilterlan Ferreira - Preparador Físico de Futebol - CREF 001193-G/RN. Tecnologia do Blogger.